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Buscas por desaparecidos em prédio que pegou fogo e desabou entram no 6º dia


Publicado em: 6 de maio de 2018


 

Neste domingo, 49 homens trabalham e comando avalia estratégia da operação para avançar buscando a localização de 5 pessoas desaparecidas; trabalho dos bombeiros deve durar 15 dias.

 

O Corpo de Bombeiros entrou neste domingo (6) no 6º dia de buscas por cinco pessoas que permanecem desaparecidas no desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no Centro de São Paulo. O comando da operação avalia a estratégia de buscas, que pode sofrer mudanças, já que poderá se prolongar por mais 15 dias.

Nesta manhã, são 49 homens em duas frentes de trabalho: uma de combate ao incêndio, ainda no rescaldo, e outra em busca de estruturas colapsadas, que procura por possíveis vítimas.

Durante a madrugada, 37 homens e três equipes com máquinas trabalharam ininterruptamente. Já foram retiradas do local mil toneladas de escombros. Neste domingo, as buscas se concentram na Rua Antonio de Godoi, perto do edifício Caracu, que está interditado. Os moradores foram autorizados a pegar pertences no prédio neste domingo.

Um dos desaparecidos já foi encontrado e, na sexta-feira (4), a Polícia Civil confirmou que o corpo é de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, que caiu quando era resgatado durante o incêndio.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, os profissionais tentam chegar ao 8º andar, onde há a possibilidade de localizar pontos onde estariam possíveis vítimas.

Isso porque, no final da tarde de sábado a área de busca de onde o corpo de Ricardo foi tirada foi ampliada, conforme informou o tenente Guilherme Derrite, dos Bombeiros.

“Concentramos os trabalhos junto ao vizinho edifício Caracu na tentativa de localização de outras vítimas”, disse.

“Visualmente temos escombros a uma altura de quatro andares. Quatro andares acumulados e de material. Então se a gente fizer uma análise para chegar até o segundo subsolo há uns 18 metros ainda de escombros”, disse o tenente Derrite.

Os demais desaparecidos são:

  • Selma Almeida da Silva;
  • Welder, 9, filho de Selma;
  • Wender, 9, filho de Selma;
  • Eva Barbosa Lima, 42;
  • Walmir Sousa Santos, 47

Na quinta-feira (3), as duas filhas de Eva, Edivânia da Silveira e Evaneide, buscavam informações sobre a mãe. Eva e o marido moravam no prédio e não foram vistos desde o desabamento.

“Eu penso que ela está aí, porque eu deixei ela aí. Ou então, se alguém tentou salvar ela, fui no hospital e não achei”, diz Evaneide.

Investigação

Documentos obtidos pelo Jornal Hoje mostram por que o governo federal e Prefeitura de São Paulo não desocuparam o prédio que desmoronou.

Três relatórios assinados por um engenheiro da Prefeitura de São Paulo diziam que o prédio que desmoronou na última terça-feira (1º) não tinha problemas estruturais. O engenheiro deve ser ouvido na investigação que foi reaberta pelo Ministério Público Estadual depois da tragédia.

O desabamento deixou ao menos um morto e os Bombeiros procuram ao menos cinco pessoas desaparecidas desde terça.

Em novembro de 2016, o engenheiro Álvaro de Godoy Filho relatou que “referente à estrutura da edificação ou sua estabilidade, não verificamos anomalias que impliquem em risco para o prédio”.

Em março de 2017, o relatório traz a mesma informação e ainda destaca que “não havia risco de desabamento”. Oito meses depois, em novembro, o engenheiro repete a mesma conclusão: “”não verificamos anomalias que impliquem em risco de desabamento”.

Antes, em setembro de 2016, técnicos da Prefeitura de São Paulo não conseguiram realizar vistoria porque a entrada não foi permitida sem prévio agendamento com Ananias, homem apontado como coordenador da ocupação, apesar de ele ter negado em depoimento à polícia.

 Por Roney Domingos e Laura Cassano, G1