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Caso dos velejadores: diretor da PF repudia declarações do MP de Cabo Verde


Publicado em: 4 de julho de 2018


 

Representante do país disse que investigação da PF na Bahia foi feita ‘sob encomenda’

O delegado Rogerio Galloro, diretor-geral da Polícia Federal (PF) do Brasil, encaminhou uma carta ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, repudiando as declarações do Ministério Público de São Vicente, em Cabo Verde, acerca das investigações conduzidas pela Superintendência da PF na Bahia sobre os velejadores brasileiros presos no país.

O documento foi divulgado nesta quarta-feira (4), quase um ano após os três velejadores – incluindo dois baianos – terem sido presos no país africano, em agosto do ano passado. No documento, o diretor-geral relembra que a PF tem investigado a autoria de medidas logísticas e operacionais do tráfico de drogas que começa no Brasil e chega até Cabo Verde.

Galloro também cita que a PF encaminhou documentos que fazem parte dos autos ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional do Ministério da Justiça, a pedido deste, documentos contidos nos autos de inquérito policial para “melhor compreensão e elucidação dos fatos pelas autoridades daquele país” (Cabo Verde).

E é por isso, segundo ele, que a PF repudia as declarações do representante do MP de São Vicente. O representante teria afirmado, nos autos da ação penal que tramita em Cabo Verde, que “o inquérito cuja a defesa requereu não passa da mais pura manobra traduzida numa encomenda, o qual não faz prova e não tem qualquer interesse para a descoberta da verdade material”.

O diretor geral destaca que a PF tem, como principais características, a independência, a isenção e a autonomia nas investigações, conduzidas “livres de quaisquer interferências, sejam elas externas ou internas”.

“Não é por outro motivo que a Polícia Federal do Brasil é respeitada nacional e internacionalmente, sendo demandada constantemente a capacitar integrantes de outras instituições policiais de diversos países no mundo, compartilhando as técnicas investigativas utilizadas”, pontua Galloro, que afirma que a manifestação do MP de São Vicente não afeta somente a PF, mas todo o sistema de Justiça Criminal Brasileiro.

“Assim, a insinuação de que inquérito da Polícia Federal do Brasil tenha sido feito ‘sob encomenda’ deve ser veementemente rechaçada, por atacar, de forma absolutamente irresponsável, a imagem desta Instituição”, defende.

Relembre o caso
O grupo de três brasileiros e um francês foi contratado para transportar um veleiro de Salvador até a Ilha dos Açores, em Portugal, através da empresa de recrutamento e terceirização de mão de obra Yacht Delivery Company, cuja sede fica na Holanda. A embarcação pertence a um inglês, conhecido como George Saul, que só foi apresentado à tripulação na véspera da viagem. Ele está sendo procurado pela Interpol.

O barco passou por duas fiscalizações da PF em Salvador e em Natal, antes que deixasse o Brasil. Em 23 de agosto do ano passado, ao chegar na cidade de Mindelo, na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, passou por nova inspeção e a droga foi encontrada. Daniel Dantas, Daniel Guerra e Olivier Thomas estão presos desde o referido mês. Já Rodrigo Dantas conseguiu responder temporariamente ao processo em liberdade, mas foi preso em dezembro, já que o Ministério Público daquele país alegou risco de fuga.

Em junho, um inglês que seria o dono da droga foi preso pela PF.