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Caso Marielle, o produto macabro do festival de horrores dos nossos políticos


Publicado em: 19 de março de 2018


Oxalá o preço da vida de Marielle sirva para um despertar de consciência

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror”

Carl Jung, médico suíço, considerado o pai da psicologia analítica (1875 – 1961).

Foto: divulgaçã
O que se pode esperar de um país em que o senso comum é a de que a nossa representação política virou uma quadrilha que dissimula os seus atos criminosos com um discurso em defesa dos interesses coletivos?
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O óbvio, claro. Os sofismas não conseguem mais mascarar a triste realidade, a criminalidade a cada dia rouba também os espaços da civilidade. E a sociedade adoece mostrando suas feridas na forma da insegurança generalizada.

No fundo

E o que dizer de uma sociedade em que os atores de um jogo político saudável são literalmente metralhados, como é o caso da vereadora Marielle Franco? Simples. É o fundo do poço.

Os bandidos perderam completamente o respeito pelo nosso bem maior, a vida, não de agora, mas de há muito, para o cidadão comum, que cada vez mais engorda as estatísticas de horror e dor. Mas Também pelos expoentes do aparato institucional.

Oxalá o preço da vida de Marielle sirva para um despertar de consciência. O ministro Raul Jungman (Segurança) diz que todos os serviços de inteligência estão a postos para desvendar o caso e prender os assassinos de Marielle. É o mínimo. Ou prende ou desmoraliza o país de vez. Mas fica claro que segurança não é um problema só de polícia e que os nossos políticos, produtores das nossas desditas, têm uma dupla e grandiosa responsabilidade: sair do atoleiro e achar os trilhos.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.