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Mais do que torcer pela Copa devemos torcer pela dignidade das Mulheres


Publicado em: 20 de junho de 2018


 

 

Torcedores podem não ser só simples torcedores, mas também assediadores. É o que demonstrou as últimas notícias sobre a copa do mundo na Rússia, quando brasileiros assediaram e depreciaram uma mulher russa, supostamente num momento de descontração e comemoração, quando na verdade, a assediaram, constrangeram, ridicularizaram e desrespeitaram.

 

Para aumentar nossa raiva, desconforto, desgosto, repúdio e indignação, mais uma vez, ao considerar a avalanche de fatos relacionados à questão de assédio sexual, estupro e violência contra a mulher. E a vítima nem brasileira é, mas como mulher, nos feriu também, pois os verdadeiros brasileiros têm empatia e são “simpáticos”, e não racistas, machistas, preconceituosos e misóginos. Pelo menos não deveriam ser.

 

Pior que uma vergonha por perder os jogos e a copa do mundo, é passarmos vergonha como uma nação com um povo que não respeita o próximo, as mulheres, as pessoas enfim. Já estamos há alguns anos nas piores estatísticas mundiais relacionadas a violência contra a mulher – assédio, estupro, assassinato.  E casos como esse nas mídias sociais e estampados nos jornais, não vão nos ajudam em nada. Mas aquele grupo de “torcedores” brasileiros fizeram o favor de alimentar negativamente os índices.

 

Advogado? Policial? Ex-secretário de turismo. São algumas das profissões privilegiadas dos turistas assediadores. Não bastava ter uma vida “bem sucedida”, dinheiro para viajar para o outro lado do mundo para assistir futebol, esses homens desonraram nossa imagem lá fora, e levaram seu machismo repugnante para assediar mulheres estrangeiras, como se já não bastasse o assédio às brasileiras.

 

Que paguem as penas adequadas todos eles: as penas sociais, morais, da lei, especialmente, tomara. Provavelmente se não maridos, namorados ou noivos, um dia serão e que fiquem torcendo para que suas companheiras (as que não descobrirem de que tipo de homem eles são) não passem pelas mesmas barbáries nas mãos de outros. Barbárie sim! Isso é o sentido contrário de avanço no quesito desigualdade de gênero, é a continuação exacerbada de velhos  maus costumes.

 

Vamos continuar a expor negativamente homens assim, atitudes assim, até que isso um dia chegue ao fim. Isso é muito mais importante que quantidade de gols o machucadinhos no tornozelo de estrelas do futebol. Vamos cruzar a linha do adiável, do irrelevante e do prosaico e partir de vez para questões cruciais e relevantes para nossa melhoria como povo, avanço como nação, elevação como pessoa.

 

Caras, tomem vergonha na cara! Saiam do mimimi do machinho, isto está por fora, isto nos rebaixa e coloca e paralisa vocês na condição de representantes patéticos de estruturas de gênero defasadas, atrasadas, burras e babacas, porque não dizer.

 

Vocês serão atropelados pelos avanços sociais (em progresso) em algum momento de suas vidas, como aconteceu agora, porque estamos atentos, focados em homens truculentos como vocês que ainda não sabem que “…vivem a ilusão de que ser homem bastaria…”

Por Cristine Souza