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Pezão recebia mesada de R$ 150 mil no governo Cabral, diz delator


Publicado em: 28 de abril de 2018


Segundo Carlos Miranda, mesada era paga com dinheiro de empreiteiras e fornecedores do estado. Pezão repudiou o que chamou de mentiras.

Um delator da Lava Jato disse ao Ministério Público Federal que o governador do Rio Luiz Fernando Pezão, do MDB, recebia uma mesada de R$ 150 mil no governo Sérgio Cabral. A propina, de acordo com Carlos Miranda, era paga com dinheiro de empreiteiras e fornecedores do estado.

A delação diz que, durante os sete anos em que foi vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão recebeu uma mesada. A propina era paga a pedido de Sérgio Cabral com dinheiro de empreiteiras e fornecedores que tinham contratos com o governo.

O delator era uma peça-chave no esquema e muito próximo de Sérgio Cabral. Amigo de infância, marido da prima e depois o “homem da mala”. Carlos Miranda era o gerente de arrecadação de propinas, um dos responsáveis por receber e distribuir o dinheiro ilegal.

Ele foi preso em novembro de 2016, junto com o ex-governador. Na prisão, o operador passou a ser colaborador da Justiça. Fez um acordo de delação premiada, homologado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Dias Toffoli.

Num dos trechos, revelado pelo site do jornal “O Globo”, Carlos Miranda, afirmou que o então vice-governador Luiz Fernando Pezão recebia R$ 150 mil por mês.

O pagamento era feito em dinheiro vivo, dentro do Palácio Guanabara, a sede do governo do estado. O delator contou ainda que de 2007 a 2014, Pezão recebia até um décimo terceiro salário.

Carlos Miranda disse também que, nesse período, além da mesada, Pezão recebeu dois bônus de R$ 1 milhão cada um.

No mapa da corrupção traçado por Carlos Miranda, o caminho do dinheiro passa pelo Arco Metropolitano. A rodovia projetada para ser supermoderna virou um símbolo do abandono. A estrada de 71 quilômetros tem mais de 4 mil painéis solares. Muitos estão destruídos.

Segundo o delator, parentes do dono da empresa que instalou esses painéis foram responsáveis por outra obra de Luiz Fernando Pezão. Só que não foi uma obra pública, e sim, na casa do governador, em Piraí, no interior do estado. Carlos Miranda disse que o pagamento foi de R$ 300 mil, um presente de Cabral a Pezão.

Em 2017, o Jornal Nacional já tinha mostrado uma outra delação que citava propinas a Pezão. O operador financeiro Edimar Moreira Dantas relatou pagamentos de quase R$ 5 milhões.

Carlos Miranda contou também que, quando Sérgio Cabral deixou o governo, em 2014, foi Pezão que passou a enviar propina ao ex-governador, uma mesada de R$ 400 mil.

Carlos Miranda também afirma que Sérgio Cabral pagava uma mesada a deputados da Assembleia. De acordo com ele, o ex-governador encaminhava R$ 900 mil por mês. Ele cita o ex-presidente da Alerj, deputado Paulo Melo, do MDB, que está preso, e afirma que ele fornecia a lista de deputados que recebiam propina.

Na gestão de Luiz Fernando Pezão esse esquema teria continuado com um valor ainda maior: R$ 1,1 milhão, segundo o delator.

O depoimento de Carlos Miranda já foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, que tem a atribuição de julgar o governador.

Entre os benefícios por colaborar com a Justiça, o “homem da mala” poderá reaver alguns bens no final do processo: um apartamento onde morava, um carro e R$ 250 mil. Outros R$ 4 milhões serão liberados para o pagamento de uma multa.

Todo o patrimônio do delator segue bloqueado pela Justiça. A propriedade principal é a fazenda Três Irmãos, no interior do Rio. O bloqueio ainda inclui quatro veículos e R$ 7 milhões da empresa que administrava a fazenda.

O governador Luiz Fernando Pezão repudiou o que chamou de mentiras. Afirmou que jamais recebeu recursos ilícitos e que já teve sua vida amplamente investigada pela Polícia Federal. A defesa do ex-governador Sérgio Cabral declarou que Carlos Miranda criou uma história que não existe para o Ministério Público Federal. O JN não conseguiu contato com os outros citados na reportagem.