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Rodoviários afirmam que greve na quarta está praticamente confirmada


Publicado em: 21 de maio de 2018


 

Sem sucesso nas negociações com os empresários, o Sindicato dos Rodoviários confirma que o indicativo é para a instauração da greve à meia-noite de quarta-feira (23). Eles se reuniram na manhã desta segunda (21), na sede da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), com representantes dos sindicatos dos trabalhadores intermunicipais e dos empresários. “Com essa intransigência, sem avanço dessa forma, com certeza, a categoria está mobilizada pra uma grande greve geral por tempo indeterminado”, ressalta o vereador Hélio Ferreira (PCdoB), presidente do Sindicato dos Rodoviários. Ele afirma que, “em nome da paz e da tranquilidade”, os trabalhadores reduziram seus pleitos. Antes eles pediam 6% de reajuste salarial e agora pedem 5%. Quanto ao aumento do ticket alimentação, a redução no pedido foi de 10% para 8%. Mesmo assim, os empresários não aceitaram a proposta e não ofereceram nada em retorno. “Primeiro, vamos voltar ao mundo real. Depois do mundo real é que a gente vai discutir. O setor está desequilibrado, se eu tenho R$ 118 milhões de prejuízo no ano passado, qualquer valor que eu agregue agora vai gerar mais prejuízo, seja em que item for. Se for no diesel, se for na peça, se for no custo com pessoal…”, defende Jorge Castro, representante da Integra Salvador, empresa dos ônibus urbanos que fazem o transporte da capital baiana. Castro justifica que, para reverter esse desequilíbrio econômico, a empresa pede o fim do acordo firmado em 2014 com a Prefeitura de Salvador, sob alegação de que as propostas não se cumpriram diante da expectativa na época da assinatura do contrato. Como exemplo, ele pontua que a proposta era de 28 milhões de passageiros, mas eles contabilizam 21 milhões e que a gestão municipal propôs o fim dos transportes clandestinos, o que não ocorreu, entre outros entraves.

 

Nas negociações de hoje, os representantes da empresa do sistema de transporte intermunicipal chegou a oferecer 1% de reajuste para os trabalhadores, mas eles não aceitaram. O presidente do Sindinter, Euvaldo Alves, afirmou ao Bahia Notícias que a intransigência na negociação é por parte do patronato. “Só teve uma novidade nessa rodada, foi que o setor intermunicipal colocou 1% de reajuste, que nós rejeitamos porque não contempla os trabalhadores enquanto que a rede urbana, o Setps [atualmente Integra] não saiu do zero”, lamenta. Quanto aos demais pleitos dos rodoviários, também não houve avanços. Eles querem que as empresas banquem vacinas, pois consideram que os rodoviários trabalham em condições insalubres, e também a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), cujo custo é de R$ 700, em média, de acordo com Ferreira. A resposta de Castro foi para que eles busquem esses benefícios com o governo do Estado. “Olha, é muito engraçado isso. Eu sugiro que o Sindicato dos Trabalhadores, que tem uma penetração junto com o governo do Estado, que solicite pra o secretário de Saúde, que ele faça como prioridade a vacinação dos trabalhadores rodoviários. Não são as empresas que tem que pagar pela vacinação”, critica. Em mais uma tentativa de solucionar o impasse e evitar a greve, a superintendente regional do Trabalho, Gerta Schultz, anunciou que haverá uma nova rodada de negociações às 9h desta terça-feira (22), no mesmo local. Se após essa reunião, as partes não chegarem a um acordo, os rodoviários se reúnem em assembleia às 15h para decretar greve geral no Estado a partir de quarta.

 

por Ailma Teixeira